Dúvidas frequentes sobre Terapia


Para quem?

A terapia pode ser útil para uma grande variedade de pessoas e numa grande diversidade de situações. Por um lado, são muito poucas as pessoas que precisam, absolutamente, de terapia, no sentido de não conseguirem funcionar sem ela. Por outro, também são muito poucas as pessoas para quem o acompanhamento não teria qualquer utilidade, por não apresentarem nada que valha a pena mudar. A maior parte de nós encontra-se algures entre estes dois extremos. Ou seja, quase todos podemos beneficiar de terapia, porque quase todos gostaríamos de mudar algo em nós próprios, nas nossas relações com os outros, ou nas nossas vidas.



Quando?

As pessoas tendem a procurar terapia em momentos em que são afetadas por dificuldades emocionais, comportamentais ou interpessoais. Alguns sinais de alerta: Choro frequente, "nervosismo", sensações físicas perturbadoras, comportamentos impulsivos e/ou destrutivos, insónia, cansaço permanente, dificuldade em tomar decisões, pensamentos perturbadores, conflitos frequentes, perda de prazer em atividades ou relações, emoções permanentes ou exageradas de tristeza, medo ou raiva, a sensação de que "algo não está bem" consigo ou com a sua vida…



Para quê?

Um primeiro objetivo da terapia é intervir sobre as dificuldades que levaram a pessoa a procurar ajuda. Pretende-se melhorar a compreensão que a pessoa tem dessas dificuldades, e ajudá-la a desenvolver estratégias para as eliminar, reduzir ou lidar com elas. O terapeuta ajuda a pessoa a identificar as suas competências, a potenciar a sua utilização e a construir novas competências que sejam necessárias. Um objetivo mais geral da terapia é o de promover o auto conhecimento. A ideia subjacente é a de que, quanto mais sabemos sobre nós, melhores são as escolhas que fazemos para a nossa vida. Todos somos diferentes, e a terapia ajuda a pessoa a conhecer-se nas suas diferenças, e a considerá-las nas suas escolhas. Ajuda-a, no fundo, a tornar-se cada vez mais parecida consigo própria. Isto traduz-se num maior conforto e liberdade na relação da pessoa consigo própria, com a sua vida, e com os outros. A terapia é um investimento com um impacto duradouro – quanto mais cedo o fizer, mais tempo o disfruta!



Como?

Cada terapeuta intervém com base em um ou mais modelos teóricos, nos quais tem um treino abrangente e aprofundado. Na terapia individual, utilizo como base o modelo cognitivo-comportamental, que incide sobre os pensamentos, emoções e comportamentos da pessoa, e sobre a forma como estes aspetos se relacionam uns com os outros. Na terapia de casal, utilizo como base o modelo sistémico, que incide sobre a interação e a comunicação entre os elementos do casal. Em ambas as situações, são integrados elementos de outros modelos teóricos, consoante as necessidades da pessoa ou do casal. Independentemente do modelo utilizado, na base de qualquer terapia, está uma relação que se estabelece entre a pessoa e o terapeuta, e que é diferente de todas as outras relações da vida da pessoa. É uma relação de colaboração – a terapia é algo que se faz "com a pessoa", e não algo que se faz "à pessoa". É uma relação "à parte" - o terapeuta está fora da rede social da pessoa, e isto permite-lhe compreender a sua experiência a partir da sua perspetiva, e usar essa perspetiva como ponto de partida para a mudança. É uma relação assente em princípios – de confidencialidade, de respeito, de promoção do interesse da pessoa e da sua autonomia – que facilitam a construção de confiança. Estas características são aquilo que torna a relação terapêutica num contexto tão especial e poderoso - um local seguro para a pessoa se partilhar e se transformar!



Durante quanto tempo?

A duração da terapia é muito variável, e depende tanto dos objetivos da pessoa como do modelo teórico utilizado pelo terapeuta. A terapia começa, geralmente, com uma reflexão conjunta sobre aquilo que a pessoa pretende conseguir, e a forma como o terapeuta pode contribuir nesse sentido. Nesse momento, poderá ser feita uma previsão relativamente à duração do processo. Contudo, todas as pessoas são diferentes, e todos os processos são únicos – e, nesse sentido, abertos a alguma imprevisibilidade. Independentemente de tudo o resto, o objetivo final de qualquer terapia é o de ajudar a pessoa a tornar-se o seu próprio terapeuta. O último sinal de sucesso de uma terapia é o momento em que esta termina, por se ter tornado desnecessária.