PROBLEMAS SEXUAIS

“… a verdade é que, sexualmente, as coisas nunca funcionaram muito bem. E eu tenho imensa pena, porque gostamos muito um do outro, mas assim não dá para continuar.”

A resposta sexual.

A resposta sexual passa geralmente por três fases. A primeira fase é a de excitação. Desenvolve-se, no homem e na mulher, com uma evolução da sensação psicológica de desejo e das respostas físicas correspondentes. A excitação desenvolve-se em ondas - tanto o homem como a mulher podem sentir que a excitação vem e vai. Isto é perfeitamente normal, uma quebra não significa que algo esteja errado. A segunda fase é o clímax. O homem atinge um ponto de onde já não pode retroceder, a que se segue a ejaculação. A mulher sente também um aumento da tensão sexual e uma descarga desta, acompanhada por contrações, que ela pode ou não sentir. O clímax não é “obrigatório” - a frustração desagradável resulta normalmente de se esperar mais do que aquilo que se obtém. Ou seja, é um problema psicológico, não um problema físico. A terceira fase é a resolução. Ocorre um regresso ao ponto inicial, marcado por sensações de descontração e relaxamento. Se não se atingiu o clímax, a sensação geral de excitação pode demorar mais tempo a desaparecer. Estas fases podem não se desenrolar de forma paralela em ambos os parceiros - aliás, o mais frequente, é que cada pessoa responda ao seu ritmo, e que este ritmo seja variável de dia para dia e de situação para situação. Isto não representa, de forma nenhuma, um problema.

A resposta sexual desenvolve-se naturalmente (se a deixarmos).

O sexo é uma função natural como, por exemplo, a digestão. Todos nós aceitamos que, se comermos normalmente e com calma, o nosso sistema digestivo funciona naturalmente e conseguimos apreciar a comida. Também sabemos que uma alimentação pouco cuidada, a pressa ou a pressão, a ansiedade ou o mau humor podem conduzir a problemas a esse nível, embora o corpo esteja basicamente saudável. O que acontece com a resposta sexual é muito semelhante… embora poucas pessoas o compreendam desta forma. Se permitirmos que o sexo aconteça normal e descontraidamente, os nossos corpos responderão naturalmente, sem qualquer esforço consciente da nossa parte. A ocorrência de fatores perturbadores pode suscitar problemas a este nível, sem que isto signifique que haja um problema ao nível do corpo.

Diferentes formas de problemas sexuais.

Em ambos os sexos:

  • Inibição do desejo sexual - Inibição permanente e generalizada do desejo sexual;
  • Aversão sexual: Aversão extrema, permanente e generalizada e evitamento de todos, ou quase todos, os contactos genitais com parceiros sexuais, acompanhada por fortes emoções negativas e manifestações fisiológicas desagradáveis;
  • Dispareunia - Dor genital antes, durante ou após o coito, de forma recorrente e persistente.
No homem:
  • Disfunção eréctil - Incapacidade parcial ou total de atingir ou manter uma ereção que permita o ato sexual e/ou perda da ereção antes da ejaculação;
  • Inibição do orgasmo - Inibição recorrente e persistente do orgasmo, manifestada por atraso ou ausência de ejaculação, após excitação sexual adequada;
  • Ejaculação precoce - Ejaculação após estimulação sexual mínima ou antes, durante ou pouco tempo depois da penetração, de forma recorrente e persistente, que ocorre antes de o homem o desejar.
Na mulher:
  • Inibição da excitação sexual - Incapacidade parcial ou total de atingir ou manter o estado de excitação, em termos fisiológicos, até ao fim do acto sexual;
  • Inibição do orgasmo: Inibição recorrente e persistente do orgasmo, manifestada por atraso ou ausência de orgasmo, após excitação sexual adequada;
  • Vaginismo: Presença de espasmos involuntários recorrentes e persistentes dos músculos do terço externo da vagina.

Fatores que inibem ou perturbam a resposta sexual.

  • Falta de informação: a pessoa pode não saber o que esperar, ter expectativas irrealistas, ou desconhecer as preferências sexuais do parceiro e as “técnicas” que permitiriam ao casal “funcionar bem” sexualmente;
  • Fatores psicológicos:
    • Estados emocionais (depressão, ansiedade, raiva, culpa…);
    • Pensamentos: face a si próprio (“sou feio/a”, “não mereço sentir prazer”,…), face ao outro (“está a usar-me”, “as mulheres sérias não gostam de sexo”…), face ao sexo (“é errado”, “é pecado”, “é sujo”…) e às suas consequências (medo de não “fazer bem”, de sentir dor, de ser “apanhado”, de perder o controlo, de engravidar…);
  • Problemas na relação: a pessoa pode sentir-se insatisfeita com o/a parceiro/a e/ou a relação, ou os dois parceiros podem ter guiões dissonantes do ato sexual.
  • Por vezes, os fatores na origem dos problemas sexuais já foram ultrapassados, mas os problemas persistem. Isto acontece porque, tendo “falhado” anteriormente, a pessoa desenvolve o medo de “falhar” novamente, e este medo passa, ele próprio, a inibir ou perturbar a resposta sexual.
  • (Re) aprender a tirar prazer da resposta sexual.

    Nos casos em que não existe um parceiro, a intervenção será individual. Face a um casal, uma vez que ambos estão envolvidos no problema, a resolução do problema passará pelos dois (sem transformar um em paciente e o outro em terapeuta…). Em ambos os casos, não se trata de curar uma doença, mas sim de aprender novas e mais satisfatórias maneiras de viver a resposta sexual. Num primeiro momento, pretende-se construir em conjunto com a pessoa/ o casal uma explicação dos problemas que lhes dê um sentido, e que permita estabelecer um plano para a intervenção. Este pode passar por esclarecer dúvidas e corrigir equívocos sobre o sexo, por abordar os estados emocionais ou os pensamentos na base do problema ou por melhorar as competências de comunicação. Passa, sobretudo, por (re)aprender a tirar prazer das respostas sexuais naturais.